"Whenever I consider my mortality and ask myself what I would do if I only had a short time to live, an intrinsic part of the answer is, Get the most musical pleasure" Harvey "Gizmo" Rosenberg - in Listener July-August 2001 issue

Sábado, Maio 18, 2013

Get the most musical pleasure

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"Whenever I consider my mortality and ask myself what I would do if I only had a short time to live, an intrinsic part of the answer is, Get the most musical pleasure."

Harvey "Gizmo" Rosenberg
December 7, 1941 - July 16, 2001
(in Listener July-August 2001 issue)

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The Search For Musical Ecstasy (1993)

Sábado, Maio 11, 2013

Explorador da existência


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Em entrevista a Miguel Esteves Cardoso na RTP, emissão em 9 de maio de 2013, o escritor e cronista diz, entre outras coisas, o seguinte:

«Há tantas coisas para fazer na vida sem amor [romântico por outra pessoa]. A vida em si é boa

«A sabedoria conduz à tristeza, a um pensamento triste, conduz à realidade e a realidade é uma coisa triste. O que é bom é distrair-mo-nos

Por outro lado, salienta, numa palavra, algo de muito importante e vital: «Sossego». Está sossegado quem pode e quem quer. Há quem tenha horror ao sossego e tenha de estar sempre em movimento.

«Eu tento pôr a vida por escrito. Para ficar escrita. É uma coisa que se aprende a escrever. Apanhar a vida e pô-la ali de maneira a que se guarde.» A literatura e os escritores aprofundam o conhecimento da vida e do ser humano. Mesmo a ficção, com espessura existencial, faz refletir e contém conhecimentos e ensinamentos preciosos sobre a natureza humana e a essência da vida - não é só a ciência que nos permite conhecer.

Como disse Milan Kundera, o «romancista não é nem um historiador, nem um profeta: é um explorador da existência», isto é, da descoberta de parcelas novas da vida humana. E a existência é o «campo das possibilidades humanas» (A Arte do Romance pp.27/58/60). Há coisas que só o romance pode dizer.

Outra entrevista recente (ao escritor Miguel Esteves Cardoso e à mulher), e muito melhor do que a da RTP (Fátima Campos Ferreira faz algumas perguntas que valho-nos Deus...), foi conduzida por Anabela Mota Ribeiro e publicada pela revista 2 do Público, em 21 de abril do corrente ano.

Ecos pachequianos


Uma grande biografia sobre o ainda maior Luiz Pacheco, há meses na mesa de cabeceira, mas que ainda não consegui de lá tirar, apesar de lida e relida... Vai-se lá saber porquê...
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«Puta que os pariu!» foi a última resposta de Luiz Pacheco na entrevista que deu à revista Ler, em 1995, quando lhe pediram uma mensagem para as novas gerações.

Despedimento no Diário


O desemprego é um drama humano em qualquer empresa, mas pela afetividade que me liga ao DIÁRIO e a muitos dos seus profissionais é ainda mais triste saber desta notícia. Melhores dias virão.

Comunicado da EDN

Recorde-se:
Dia sem Diário é dia sem "oposição" 1 (2006)
Dia sem Diário é dia sem "oposição" 2 (2007)
Dia sem Diário é dia sem "oposição" 3 (2010)

Papi de Dean Blunt




Bring out the best in me
Said you'd bring out the best in me
Yeah, yeah
I can never be that!

Neste tema Dean Blunt faz um excelente uso do lendário instrumental "Echoes" dos Pink Floyd, cheio de notas planantes, espacialidade e ambiência.

The only person...

Intensa e épica

Intensa e épica esta nossa ilha (foto NdS de 17 de março de 2013)

Domingo, Abril 28, 2013

Renovar a capacidade de deslumbramento


Um tema para inspirar e animar quem, depois de algumas más experiências na vida (quem não as tem...), tenha perdido a capacidade de deslumbramento, se tenha tornado frio em relação ao mundo e/ou às pessoas e se tenha entregue ao fatalismo e à desesperança. É preciso convocar o idealismo, a criança de que fala Devendra Banhart neste "I Feel Just Like a Child", num constante renovar deslumbrado perante o milagre da vida.

Quinta-feira, Abril 25, 2013

Discurso presidencial no 25 de Abril

Derrocada de cravos altamente simbólica quando o Presidente discursava em favor da atual governação
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Para o Presidente da República o problema não é a governação que provoca a "ansiedade e a inquietação" (e desemprego, exploração e empobrecimento) dos portugueses, mas sim quem dá voz a essa ansiedade e inquietação, sejam os partidos da oposição, sindicatos ou movimentos sociais.

Cavaco Silva resolveu ainda salientar a importância do "consenso político alargado" mas cometeu o erro de ter sido parcial ao colocar a pressão basicamente sobre a oposição, em especial o maior partido da oposição ("a conflitualidade permanente e a ausência de consensos [...] irão afetar gravemente o interesse nacional"). A oposição só recebeu críticas enquanto o Governo, além de críticas, recebeu elogios.

Cavaco Silva está claramente comprometido com a política do Governo a apoia-a. Faz parte do problema e não da solução. Por isso, terá uma manifestação à porta no dia 25 de maio. Não tem olhos para a realidade e as circunstâncias. Não vê as consequências erradas de uma estratégia portuguesa e de uma certa Europa, mas apenas a obediência a essa estratégia, mesmo que dê cabo do País e espolie a vida dos portugueses. O que importa é cumprir a "receita", mesmo que seja experimental e esteja a dar cabo do paciente.

Para ele, o problema é ainda a hipotética "grave crise política" (note-se o uso do "grave" num mero cenário) de umas eleições antecipadas e não a "crise económica e social" (note-se a ausência do adjetivo "grave" na situação real e presente). Não vê outra alternativa senão obedecer cegamente à troika, seja que Governo for, mesmo que nos atire para uma espiral recessiva, empobrecimento e miséria.

Os maus resultados do Governo ou o facto de não estarem a governar com o programa que foi sufragado nas eleições não interessa ao Presidente, para quem ouvir os portugueses nas urnas é maior perigo ou dano do que a governação atual, que nos espolia e atira para a pobreza e a miséria todos os dias.

É nestes momentos cruciais que fica tudo à mostra. Cavaco Silva também não está ao lado dos portugueses e torna-se no quinto elemento que se junta à troika e ao Governo. Como saímos daqui? Voz aos cidadãos.
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DISCURSO NA ÍNTEGRA

Domingo, Abril 21, 2013

Tristesse


Alegria e tristeza são faces da mesma moeda. Uma permite a existência da outra. Interessa que a alegria domine e a tristeza seja o mais breve e leve possível...

O escritor Afonso Cruz, n'O Livro do Ano, coloca as coisas assim: «O meu avô diz que a felicidade é uma péssima corredora e que é fácil fugirmos dela. E a tristeza?, perguntei. É uma excelente corredora, respondeu ele.»

Linda Martini com novo disco a caminho

Linda Martini é simplesmente uma das melhores bandas portuguesas. Pós-rock de múltiplas referências estilísticas e atualíssimo. Cantam em português e as letras estão muito bem esgalhadas. Casa Ocupada (2010), que inclui este "Juventude Sónica" (ou estes "Belarmino vs" e "Mulher a Dias"), é um excelente disco de rock em qualquer parte do mundo. Vem novo álbum a caminho para estar cá fora este ano.

Está-nos no sangue

Inauguração de Levada na Madeira por David Boyer (National Geographic stock MV)
Partilho esta prova de que não foi Alberto João Jardim que inventou o potencial inauguracionista junto do povo madeirense.

O governante limitou-se a responder ou a apurar algo que nos está no sangue, isto é, endémico: faz parte de uma dada caracterização comportamental insular.

«Aqui na Madeira são as flores, as festas, o vinho, a alegria..." como notou certa vez Monteiro Diniz, antigo Representante da República para a RAM. «Há um conjunto de circunstâncias sociológicas, que se projectaram ao longo dos tempos e que determinaram uma mundividência, uma certa forma de actuar e de se comportar na sociedade madeirense.»

Fazer de qualquer ocasião um arraial talvez seja uma estratégia de sobrevivência à rotina e à dureza da vida insular. E festas sempre bem regadas... e não propriamente com água...


Domingo, Abril 14, 2013

Como um relógio

Hoje deu para revisitar o Rated R (2000), que abre com uns maravilhosos acordes do baixo de Nick Oliveri, que entretanto deixou de estar na banda - fazendo falta aos discos após 2004. Colabora no novo álbum dos QOTSA, Like Clockwork, a editar em junho:

Ever since Oliveri was fired from the Queens in 2004, fans have clamored for his return to the band, and journalists have worked overtime to pit Homme against his longtime musical partner. But, in a recording process so fraught with trouble, it turns out that reuniting with Oliveri turned out to be the easiest — and most rewarding — thing Homme had done in a long time.

"Collaborations look much different to an outsider than they are for us on the inside. Nick and I have been friends since a couple weeks after everything went down. People don't know that, and it would be awkward for me to run around making sure everyone knew it," Homme said. "Nick recorded his new record at my studio, and then he was going to drop off some records and he said 'Hey, need anyone to sing backup?' And I was like 'Actually, yeah, come on in.' It's that causal, and that's a nice thing. It was easy. It's nice to know someone since you were a little kid, and still know them."

Quarta-feira, Abril 10, 2013

Sound City por Dave Grohl

Filme documentário de Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) sobre o mítico estúdio Sound City. Lá foram gravados importantes discos de músicos/bandas como Neil Young, Fleetwood Mac, Tom Petty, Johnny Cash, Guns and Roses, Metallica, NIN, Rage Against The Machine, Nirvana, Queens Of The Stone Age, Slipknot, entre outros.

Segunda-feira, Abril 08, 2013

Just say Não

 
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"Just say Nao", aconselha a Portugal o economista e prémio Nobel Paul Krugman, que voltou a criticar as medidas de austeridade na Europa. Curar os problemas com mais austeridade merece um não.

Sábado, Março 23, 2013

Determinação e indiferença, os dois lados da sobrevivência



"I don't bother", diz ele. "No to everything", insiste. Ser indiferente ajuda a sobreviver

A escritora Dulce Maria Cardoso, autora d'O Retorno, um livro sobre a perda, diz numa entrevista recente (UP, março de 2013): «Um sobrevivente precisa de uma dose muito grande de determinação mas também precisa de outra de indiferença.» E precisa a sua ideia: «É preciso ser muito indiferente para não sucumbir e continuar».

Está tudo dito. É de facto assim. São muitos os fortes e determinados que sucumbem porque, precisamente, não conseguem ser indiferentes. Não desligam, não deixam fluir, carregam o mundo às costas e são arrastados para o fundo.

Penso agora duas vezes quando alguém deita mão à estratégia da indiferença. Não significa que não se importe, pelo contrário, pode até se importar demasiado ou já se ter importado demasiado durante muito tempo. E, por isso, necessita de ser indiferente para sobreviver, isto é, manter o equilíbrio. De si só cada um sabe.

É claro que ao ser humano não basta sobreviver, é outro debate, mas sobreviver é a base para acontecer tudo o resto. Não menosprezemos, pois, a sobrevivência.


Terça-feira, Março 12, 2013

Devagarinho para não mudar

Uma história que se faz tão devagar (devagarinho) que parece ter parado. Cuidado com a ansiedade

Domingo, Fevereiro 17, 2013

Desemprego cada vez mais dramático na RAM



Situação particularmente negra ilustrada pelas primeiras páginas do Diário de Notícias da Madeira de 14 e 17 de fevereiro. Lisboa tem responsabilidade, mas a Região e os seus Governos também têm a sua, é claro, pela enorme dívida acumulada.

Numa região insular, o desemprego real acima de 20% é de facto um drama de especial gravidade, em que a emigração está a servir de válvula de escape (até quando e até que ponto não sabemos).

A Educação foi o setor do Estado que mais contribuiu para a redução de 4,6% de funcionários públicos (mais do que estabeleceu a troika...). Se, no todo nacional, metade desses 28 mil funcionários eram professores, na Madeira, a redução foi feita sobretudo à custa dos docentes: dos 339 funcionários que a notícia refere, 254 são professores.

Segunda-feira, Fevereiro 11, 2013

Django Unchained, mais uma obra-prima de Tarantino




Brutal. Genial. Obra prima (mais uma de Quentin Tarantino). Uma sinfonia cinemática. Não faço a mínima ideia do que disse a crítica nem a aceitação que tem tido do público, nem me interessa. Entre os filmes em cena esta semana na Madeira, gostei de "Lincoln", gostei ainda mais de "Hitchcock" e quanto a "Django Unchained"... simplesmente encheu as medidas.

A exuberância, a banda sonora, o argumento, a violência crua sem almofadas, inesperada e sem rodeios (não se limpa a realidade inerente à escravatura), o estilo e bom gosto, o detalhe, o sentido do épico, o humor e a ironia, a força interior do herói, a forma como Tarantino nos faz calçar a botas de Django e nos faz querer dar porrada bruta nos malfeitores, mas também a humanidade e a esperança. Nota: quem sai da sala durante os créditos perde a cena extra no fim... shame on you!


Quentin Tarantino sobre "cathartic movie violence" em Django Unchained: "I wanted you to have that frustration and have that pain. I wanted audience to need to have Django to have retribution". Esse efeito foi muito bem conseguido :) Parece pouca a "retribuição" face à malvadez de donos e capatazes relativamente aos escravos, nas plantações do sul dos EUA.

Se é exuberante na violenta "retribuição" de Django, o realizador refere que foi comedido na ilustração da outra violência, a que era real no tempo da escravatura. Imagine-se se não fosse comedido... Custaria ainda mais (seria insuportável) enfrentar uma realidade brutal que muitos americanos, e não só, continuam a ter dificuldade em encarar...

Lincoln e Django Unchained têm a escravatura como tema central. Enquanto LINCOLN de Steven Spielberg é limpinho, não mostra nem confronta as consciências com a violência e brutalidade geradas pela escravatura sobre as suas vítimas, em DJANGO UNCHAINED de Quentin Tarantino somos interpelados e confrontados com essa realidade. Somos colocados no meio de uma plantação do Mississippi e causa incómodo e frustração... que só é sanado no espectador através da intensa "retribuição" de Django face aos opressores.

Quentin Tarantino acaba de ganhar um BAFTA pelo melhor argumento original de Django Unchained. Bem merecido :) É uma das pedras angulares do filme.

E Quentin Tarantino ganhara no mês passado um Golden Globe também pelo argumento de Django Unchained, que considerou uma surpresa. Está a ser modesto o rapaz...

Domingo, Fevereiro 10, 2013

Estratégia do empobrecimento



 foto (c) João Girão / JN

«Quando um banqueiro, ao falar de novos sacrifícios, toma como referência os sem-abrigo fica-se com uma ideia até onde pensam levar o empobrecimento.»
CARLOS BRITO


SIC Notícias, 9 de fevereiro de 2013

Terça-feira, Fevereiro 05, 2013

Franquelinstein



Este "Franquelinstein" de Henrique Monteiro ilustra bem o exemplo da canalha que aí anda, comilhões de taxos e mordomias que orbitam à volta dos partidos e, normalmente, à custa dos contribuintes e do bem comum.

É preciso um manifesto anti Franquelim Alves. BASTA PUM BASTA!

Recordar o "Manifesto Anti-Dantas de Almada-Negreiros" dito por Mário Viegas.

 "Se o [Franquelim] é português eu quero ser espanhol!"

Domingo, Fevereiro 03, 2013

FOME.LUTA.POVO.MEDO


FOME.LUTA.POVO.MEDO são vocábulos que surgem em palco na produção teatral apresentada pelo Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos: "Aventuras de João Sem Medo" de José Gomes Ferreira, pela GMT Oficina Versus, com dramaturgia e encenação de Duarte Rodrigues. Acabou de estrear no Teatro Municipal Baltazar Dias.

Superlativos Cult Of Luna por terras lusas







Com sete músicos em palco, 3 guitarras, 2 bateristas, 1 baixista e 1 teclista, os suecos CULT OF LUNA deram um concerto intenso em Lisboa, no antepenúltimo dia de janeiro, senhores no post metal onde se enquadram bandas americanas como NEUROSIS e os recentemente extintos ISIS.

Gostei da intensidade, dos crescendos, da execução precisa dos sete músicos e do jogo de luzes em perfeita coordenação com a música.

Fotografias tiradas de telemóvel. Para mais imagens e reportagens ver em Ponto Alternativo (Hard Club e Paradise Garage) e Amplificasom (Hard Club I e Hard Club II).

Havai europeu de volta?


Reportagem da RTP-M sobre o surf na ilha, de 30 de janeiro de 2013, com vinte e seis minutos. Esperemos bem, como se refere, que o surf esteja de volta em força à Madeira (em especial nesta grave conjuntura de crise económica, que também afeta o fluxo de turismo para a Região), depois de várias ondas terem sido comprometidas ou destruídas.

Em 2000, aquando do Madeira Big Wave Team Challenge, um dos organizadores, Gonçalo Lopes, dizia à RTP: "Vai passar a ser um dos sítios do mundo para fazer [surfar] ondas grandes e não só." Chamavam-lhe então o Havai europeu. Ninguém imaginava o que se passaria nos anos seguintes...

A épica onda do Jardim do Mar, que era cartaz do surf para o mundo, passou a ser surfável apenas em metade do tempo, na maré baixa, e tornou-se mais perigosa devido à parede de antifers (blocos de betão), que não permite a entrada e saída do mar como a antiga praia de calhau.

Agora, apesar do que se perdeu, acho positivo que se valorize este nicho de mercado turístico-desportivo. Mas que se mude de atitude, não haja mais uma relação dual com o surf e se pense em recuperar algumas ondas, como a da Ponta Delgada ou do Jardim do Mar.

Em concelhos como a Calheta, que não é rico, o surf pode ter um impacto económico interessante e ajudar a dinamizar a economia local.

A associação Salvem o Surf (SOS Surf) vai assinar um protocolo com o Turismo de Portugal, que implica entre outros projectos, o levantamento das ondas de toda a costa portuguesa para conseguir «rentabilizar o surf em Portugal e divulgá-lo», avança o SOL em 3.2.2013. Só em Sines, por exemplo, calcula-se que se gerem 100 milhões de euros ao ano pela modalidade. Será que a Madeira, na conjuntura atual, irá insistir nos erros dos passado e não vai aproveitar o potencial económico do surf?

Sábado, Fevereiro 02, 2013

Garrett McNamara surfa onda para recorde na Nazaré


Foto de Tó Mané com Garrett McNamara a surfar uma onda «montanha» na Nazaré, em 28 de janeiro de 2013

Ainda se aguardam as medições oficiais, mas tudo indica que o recorde para a maior onda surfada pelo homem tenha sido quebrado. Fala-se em onda de 30 metros...

Enquanto a Madeira não aproveita as potencialidades económicas das suas ondas (Relação dual da Madeira com o surf), e até se dá ao luxo de as destruir, outros fazem-no.

Recorde-se que, aquando do Madeira Big Wave Team Challenge, em 2000, o surf ainda era considerado importante para a economia regional pelos políticos, importância traduzida em apoios para competições, porque havia o retorno na promoção da ilha como destino turístico. De repente, quando foi preciso fazer certas obras na costa (promenades, marinas, enrocamentos, entre outros), os surfistas passaram de profetas a demónios comunistas. E agora? Na atual crise daria jeito esse nicho de mercado, não daria?

A edição de 30 de janeiro do jornal britânico 'The Times' deu grande destaque à onda gigante que Garrett McNamara, 45 anos, surfou na Praia do Norte na Nazaré em 28 de janeiro, publicando na primeira página a fotografia tirada por "Tó Mané" (António Manuel Silva) que correu mundo.

O norte-americano Garrett McNamara, conhecido também como GMAC, que aos 11 anos se mudou com a família para o Havai, surfou a onda gigante na Nazaré, no distrito de Leiria, que lhe poderá valer um novo recorde, depois de em 2011 ter feito história também com uma onda de grande dimensão no "canhão da Nazaré" (ver em baixo).

No entanto, essa onda 2011 (23,7 metros) não valeu ao extreme waterman Garrett McNamara o primeiro prémio na corrida para os Billabong XXL Global Big Wave Awards 2012, considerados os “óscares” do surf de ondas grandes. O surfista havaiano foi a concurso na categoria de “Biggest Wave”, com a referida onda surfada na Praia do Norte, na Nazaré. Foi a primeira vez que uma onda portuguesa foi referenciada neste galardão. Pode ser que a nova onda gigante lhe venha a valer o recorde e o "óscar" ambicionados.

Os responsáveis pela empresa Municipal Nazaré Qualifica já pediram a dois peritos dos Estados Unidos para certificarem o tamanho da onda que McNamara surfou novamente em Portugal .

Como muito bem lembra a professora Teresa Nascimento, em 31 de janeiro, na sua página do Facebook, «quando ainda não havia surf não foi o mediatismo das imagens a enaltecer o MAR da Nazaré, foi a escrita de Alves Redol a fazer dele poesia em Uma Fenda na Muralha»:

 “O Mar puxa, é como o Suberco quando se olha lá de cima para a Praia. Umas tonturas, uma coisa doce que puxa um homem, dá vontade de abrir os braços e voar lá de cima como os milhafres (…) a vaga puxa um homem. Apetece a gente jogar-se para cima dela, atrás da tal coisa que fugiu, deixar-se ir com as ondas, que correm danadas, direitas a terra…
 Apanhei muito mar, quase nasci aqui dentro, mas nunca agarrei um malvadio tão áspero (…) E volta a sentir atracção pela galopada das ondas; parece-lhe que poderia voar sobre elas, voar não sabe bem para onde (…)“
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Canyon da Nazaré: trata-se de um acidente geomorfológico raro, o maior da Europa e um dos maiores do mundo, que consiste numa falha na placa continental com cerca de 170 quilómetros de comprimento e que atinge os cinco quilómetros de profundidade. Localizado mesmo em frente à Praia do Norte, o “Canhão da Nazaré” canaliza a ondulação do oceano Atlântico para esta praia praticamente sem obstáculos, proporcionando a criação de ondas com um tamanho fora do normal, por comparação com a restante costa portuguesa.
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NOTAS posteriores:

1. Associação Salvem o Surf (SOS Surf) vai assinar um protocolo com o Turismo de Portugal, que implica entre outros projectos, o levantamento das ondas de toda a costa portuguesa para conseguir «rentabilizar o surf em Portugal e divulgá-lo», avança o SOL em 3.2.2013. Só em Sines, por exemplo, calcula-se que se gerem 100 milhões de euros ao ano pela modalidade. Será que a Madeira, na conjuntura atual, irá insistir nos erros dos passado e não vai aproveitar o potencial económico do surf?

2. A épica sessão na Praia do Norte de Garrett McNamara filmada por Tobias Ilsanker. Pode ter sido estabelecido um novo recorde mundial da maior onda já surfada de sempre. Cabe à Billabong XXL anunciar o veredito. É a única entidade a quem é reconhecida autoridade para oficializar novos recordes do mundo no que a ondas grandes diz respeito. (Surf Portugal 22.2.2013)

Segunda-feira, Janeiro 21, 2013

Ler um livro sempre com um lápis à mão


Resume como leio os meus livros importantes e que me fazem crescer. Com duas diferenças: sublinho e anoto, com um lápis, no próprio livro (só mais tarde posso desenvolver as reflexões em papel além livro) e em qualquer tipo de livro (não "profano" apenas os didáticos).

Pode ser um romance. Anoto-o. A ficção, com espessura existencial, faz refletir e contém conhecimentos e ensinamentos preciosos sobre a natureza humana e a essência da vida - não é só a ciência que nos permite conhecer. Como disse Milan Kundera, o «romancista não é nem um historiador, nem um profeta: é um explorador da existência», isto é, da descoberta de parcelas novas da vida humana. E a existência é o «campo das possibilidades humanas» (A Arte do Romance pp.27/58/60). Há coisas que só o romance pode dizer.

Retomando a metodologia de leitura, a condição é o livro ser meu para poder sublinhar e anotar à vontade. Com a devida hierarquização e "highlights", apenas com um lápis.

Faço-o para ajudar a refletir e a ter a essência do conteúdo de um livro sempre à mão, a resgatar essa essência do esquecimento num breve folhear. De outro modo, sem reler todo o livro, é quase impossível resgatar aquela frase ou aquela ideia que ficaram "perdidas" algures em tantas páginas.

Nota: ainda não cheguei ao livro eletrónico. Quando permitirem notas com a facilidade, qualidade e fidelidade que um lápis permite, fico fã e dispenso o contacto físico e o cheiro a papel... Será?
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origem do recorte: DeRose Chakras e Kundaliní Ed Afrontamento 2007

Domingo, Janeiro 20, 2013

Quadro impressionista

Funchal, 18 de Janeiro de 2013 (c) nelio de sousa
Quadro impressionista fotografado na manhã de 18 de janeiro numa rua do Funchal. A luminosidade tem papel determinante sobre os elementos do quadro, a cor das flores e a textura da parede, que fazem a conjugação que se vê.

Lembrei-me do tema "O Jardim" (álbum "Primavera de Destroços") dos Mão Morta:

 «Há tanto tempo que não me ocupo do jardim
 A última vez estava frondoso
 A buganvília a tingir-se de vermelho
 Trepando O perfume inebriante
 E as festas ao cair da tarde
 Parece que foram há séculos
 Noutra encarnação

Sábado, Janeiro 19, 2013

Desemprego na RAM acumentou 356% desde 2003

A região portuguesa onde o desemprego mais aumentou, em 2012, dá conta o Diário (19.1.2013):

«De acordo com as estatísticas do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e Instituto Regional de Emprego, a Madeira fechou o último ano com 23.741 pessoas inscritas no centro de emprego, quando em Dezembro de 2011 havia 19.016 pessoas inscritas.

É uma subida anual de cerca de 25 por cento. Isto significa que a lista dos que procuram trabalho engrossou ao longo de 2012 com mais 4.725 madeirenses, numa média de quase 400 novos desempregados por mês.»

Domingo, Janeiro 13, 2013

The Unemployment Blues

Resgatar o futuro


Perante uma governação que quer fazer de Portugal uma China da Europa dos baixos salários e do trabalho precário e sem direitos, ficar de braços cruzados não é opção.

Ao menos a ação e o protesto dá-nos o conforto que fizemos a nossa parte, o que estava ao nosso alcance, e pressionámos no sentido da defesa de direitos laborais e sociais, de alternativas (esperança sustentada) e de um futuro melhor (com mais possibilidades).

Mais

Movimento versus pensamento

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As pessoas querem MOVIMENTO, dinâmica, ruído, socialização e distração. Por isso é tão difícil pensar porque o PENSAMENTO exige parar, concentrar-se, dedicar muita atenção e tempo, muitas vezes em silêncio e até solidão.

Domingo, Dezembro 09, 2012

Primeira edição do Madeira Micro International Film Festival no Cine Sol

Três dias de bom cinema (e música) no Cine Sol, carinhosamente rebatizado de Cinema Paradiso
photo copyright MMIFF

O Madeira Micro International Film Festival constitui mais um nicho de cultura alternativa na Região: um oasis cultural num local improvável. Foi a primeira edição, de 6 a 8 de dezembro, com sede no chamado Cine Sol, com uma localização soberba na vila pitoresca da Ponta do Sol.

A oportunidade de apreciar, em três dias, um conjunto de seis filmes recentes, surpreendentes e desafiantes é uma pedra no charco cultural da ilha, num ambiente único: edifício de cinema antigo e decadente, fiel à sua época e com vista para a baía da Ponta do Sol.

A minha escolha foi para Vanishing Waves. Também pela banda sonora. O júri do festival premiou Two Years at Sea e atribuiu uma menção honrosa a Mondomanila. Tive pena não ter visto, além de Two Years at Sea, The Whisperer in Darkness. Achei interessantes Consuming Spirits e After.

Um outro filme, já fora da competição, The Valtari Mystery Film Experiment, inspirado no mundo criativo musical da banda de culto Sigur Rós, foi exibido na zona do terraço, num before screening. A música tornou-se às tantas repetitiva... Vinha à cabeça outras músicas que serviriam melhor o filme...

Foi nostálgico ter posto os pés no Cine da Ponta do Sol uns 30 anos depois (fuck, time slips away...) e foi excelente que, além do cinema indie, antes e depois da exibição dos filmes, houvesse sempre música (além do bar...) em ambiente de tertúlia entre profissionais e o público.

Em termos de experiência musical, o meu preferido foi o after show com Hanno Leichtmann (Static).

Antonio Marques Teixeira (1876-1935) foi o criador do antigo cinema na Ponta do Sol.

Quarta-feira, Novembro 28, 2012

Vontade política insuflada pelas ideologias

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«A tragédia moderna não reside na falta de informação, mas sim na vontade política insuflada como bolha por essa versão laica do milagre que são as ideologias. No fim, será a dura realidade a prevalecer, pois todas as bolhas estão destinadas a rebentar.»

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES
Diário de Notícias - novembro 2012

Domingo, Novembro 25, 2012

«Desembrulhar-me e ser eu» - o poder do esquecimento e da desaprendizagem


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«Empreendo, pois, o deixar-me levar pela força de toda a força viva: o esquecimento. Há uma idade em que se ensina o que se sabe; mas vem em seguida outra, em que se ensina o que não se sabe: isso se chama pesquisar. Vem, talvez, agora a idade de uma outra experiência, a de desaprender, de deixar trabalhar o remanejamento imprevisível que o esquecimento impõe à sedimentação dos saberes, das culturas, das crenças que atravessamos.» (Roland Barthes, Aula - 1978)

Roland Barthes é citado por Rubem Alves no Livro Sem Fim (2004 pp 55-56), continuando o autor brasileiro a escrever que «Barthes diz, então, algo surpreendente: chegara a sua hora suprema, a hora do esquecimento. Chegara o tempo de desaprender os saberes quer havia aprendido. [...] Esquecer significa perder, abrir mão, deixar ir. E, na lógica banal da razão do quotidiano, esquecimento é sempre empobrecimento. [...] Esquecer é diminuir; desaprender é diminuir. [...] Barthes aponta na direção oposta. [...] Ele nos conduz a um outro mundo.»

Rubem Alves cita então Fernando Pessoa, na voz de Alberto Caeiro, a propósito:

«O essencial é saber viver -
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida)
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender...»

«Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...»

E continua Rubem Alves: «Por que Barthes se referia ao esquecimento como "a força da força viva"? Ele mesmo responde, mostrando que o esquecimento é um processo pelo qual o corpo "raspa" de sua pele as sedimentações operadas pelo passado, mortas [...].

Nós , humanos, para renascer, temos de esquecer - abandonar a casca velha para que a nova apareça [...]. A educação é um processo de sucessivas demãos de tinta sobre o corpo: cascas. O esquecimento e a desaprendizagem são as sucessivas raspagens em busca do esquecido.»

Esquecer e desaprender permite rejuvenescer. Permite o corpo ressuscitar no seu estado original, na sua verdade, na sua essência.

«Permitir o "remanejamento imprevisível" é deixar o sabido e lançar-se no mar desconhecido. "Deixar-se levar" significa "abrir mão do controlo", "ir à deriva", "ao sabor" - naquela atitude a que o taoísmo dá o nome de wu-wei: cessar toda a actividade de controlo consciente para que a sabedoria natural da vida faça o seu trabalho. Para isso, é preciso estar muito bem consigo mesmo. "O homem que está bem sabe como esquecer", dizia Nietzsche; "para isso ele é forte o bastante."

«No poema de número 48 do Tao-Te-Ching: “Na busca do conhecimento a cada dia se soma algo. Na busca do Caminho da Vida a cada dia se diminui algo”.»

«[...] Enquanto nos lembramos e sabemos os saberes, o corpo dorme no esquecimento. [Barthes] sabe que os saberes ocultam algo. Os saberes conscientes ocultam um outro mundo [...] onde mora o que não se sabe. É preciso mergulhar...»

Finalmente, Rubem Alves deixa-nos com uma pergunta: «depois de desaprender os seus saberes, depois de se esquecer do que se lembrava - que foi que Barthes viu?»

Bom mergulho no mistério do Ser e da Vida.
Descobra-o. Viva-o.