Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Keep it simple

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«Tudo o que é complicado, é desnecessário, tudo o que é necessário é simples». Este é o lema do criador da espingarda Kalashnikov .

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Perdemos nível de vida até 2017

«OCDE diz que portugueses perdem nível de vida até 2017», dizia o Diário de Notícias (Lisboa) em 20 de Novembro último.

«Portugal não conseguirá criar emprego nos próximos oito anos e terá o segundo menor crescimento dos 30 países da organização com sede em Paris», a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Rage against the machine

Fui compelido a revisitar hoje o álbum Rage against the machine, o trabalho (obra prima) de estreia da banda com o mesmo nome, pela imagem do post anterior. Essa imagem remeteu-me para a segunda faixa: "Killing in the name".

A propósito:

"If the injustice is part of the necessary friction of the machine of government, let it go, let it go: perchance it will wear smooth - certainly the machine will wear out… but if it is of such a nature that it requires you to be the agent of injustice to another, then I say, break the law. Let your life be a counter-friction to stop the machine. What I have to do is to see, at any rate, that I do not lend myself to the wrong which I condemn."
Henry Thoreau: Civil Disobedience, 1849

Man killing in the name of...

Walking Frame

Baratear ainda mais o trabalho dos professores II

O comentário de Rui Mendes, pela troca de ideias (o pensar em conjunto) conduziu a outros pensamentos. Daí a importância desta dialética ou interacção para nos fazer pensar mais além.

Na verdade, a profissão docente é complexa e dífícil de avaliar - não é como avaliar o operário numa fábrica de panelas, por exemplo, em que no final do dia se contam o número de objectos produzidos. No entanto, essa dificuldade não é impedimento para se avaliar o trabalho pedagógico do professor, na medida em que é possível assegurar o mínimo de justiça, racionalidade e objectividade.

Por mais modelos de avaliação que se inventem, o desempenho do professor está dependente, sobretudo, da sua CONSCIÊNCIA E EMPENHO PROFISSIONAIS. É isto (e como o medir?...) que é a principal base motivacional para, como refere o leitor no comentário, os «professores bons para se manterem bons», os «medíocres para melhorarem» e os «maus para o deixar de ser».

É claro que o salário e a carreira também são motivadores. O professor não é um missionário. Mas, sem o BRIO PROFISSIONAL não é o salário que motiva a melhorar. basta pensar que haverá professores que, entre ganhar 1000 e 1.200 euros, entre ter serenidade e andar numa corrida louca pela progressão, que não depende apenas do seu mérito, optarão por ganhar menos mas não se submeterem a um desgaste, que nem garante que seja melhor professor.

Um modelo de avaliação consegue filtrar os casos mais evidentes de incompetência ou desleixo profissional. Por mais controleiro e burocrático que seja dificilmente filtra mais.

Por isso, como o governo sabe bem dessa realidade ou impossibilidade, introduz quotas, em que a avaliação deixa de ser por mérito, mas por critérios administrativos e financeiros (corte no investimento na Educação, uma despesa social).

Assim, que incentivo ao mérito é esse que, independentemente de ser Excelente, posso não ser premiado na carreira e no salário?

Chegamos ao essencial da questão. O mérito é para justificar (atirar areia para os olhos) o barateamento do trabalho pedagógico dos agentes de ensino. Ponto final.

Querem pôr a malta toda, apesar da qualificação superior, a função social essencial que desempenha e o elevado desgaste, a ganhar 1.000 euros a vida toda.

Mil euros é óptimo para quem ganha 500. Como 500 euros é óptimo para quem está desempregado. Compare-se o que ganham os docentes a outras classes profissionais com semelhante qualificação, desgaste e responsabilidade...

Falta de condições de trabalho, desvalorização social e profissional, sujeição à indisciplina e violência nas escolas e ainda por cima dar cabo do salário e da carreira? Lixados e ainda por cima mal pagos?

É claro que os docentes estão aí para a luta.

Domingo, Novembro 29, 2009

Baratear ainda mais o trabalho dos professores

Em vez do Estado cortar nas despesas supérfluas e nas mordomias inaceitáveis de muitos serviços públicos, bem como enfrentar a corrupção generalizada, quer baratear a mão-de-obra dos profissionais do ensino.
cartoon copyright: Anterozoíde

A divisão da carreira entre duas categorias (professor titular e professor não titular) e um modelo de avaliação maléfica e monstruosamente burocrático de Maria de Lurdes Rodrigues, a anterior ministra da Educação, para impedir a progressão da maioria dos professores a partir do 5º escalão, deram lugar a outra estratégia. Camuflada pela alegada «carreira única», mas com várias divisões (categorias não expressas).

A equipa liderada por Isabel Alçada optou agora por atingir os mesmos (ou até melhores...) fins de barateamento da mão-de-obra (a profissão será cada vez mais a profissão dos mil euros, não obstante ser uma carreira técnica-superior e de elevado desgaste e responsabilidade social) prometendo desburocratizar o modelo de avaliação, mas aumentando as barreiras para a progressão.

Assim, de acordo com a proposta de Isabel Alçada, em vez do actual bloqueio na transição de professor para professor titular, surgem não um, nem dois mas sim três momentos de estrangulamento da progressão, não importa o mérito do professor. Seja Bom, Muito Bom ou Excelente terá de aguardar por vaga (vagas fixadas anualmente) para acesso ao 3º, 5º e 7º escalões.

Está bonito está. Estes mecanismos constrangedores podem ainda ser mais penalizadores para os professores do que a divisão em duas categorias.

Na prática, não há categorias, mas elas estão implícitas. De duas (professor titular e professor não titular) passa a haver 6 categorias: o professor abaixo do 3º escalão, no 3º, abaixo do 5º, no 5º, abaixo do 7º, no ou acima do 7º escalão.

Faz lembrar a estratégia da Madeira, no constrangimento criado (prova pública) para acesso ao 6º escalão, que divide, na realidade, os professores em duas categorias, embora não o verbalizando.

O futuro não é risonho, sobretudo quem anda ainda pelos primeiros escalões da carreira. Ora vejamos: o Governo quer reduzir X na despesa com salários de professores. Quem está nos escalões mais adiantados, a partir de meio da carreira (actual 5º escalão) não podem cortar nada (do que já ganham agora, note-se). Ora, esta "despesa a mais", a que o Governo não pode deitar a mão, será compensada pelos professores mais novos dos quadros e pelos professores com vínculo precário (contratados). São estes duplamente penalizados.

O grande fosso entre professores não será divisão em categorias, nem as quotas para acesso a determinados escalões. O real fosso entre professores cavar-se-á entre os salários de 1.000 euros (para a maioria ou toda a carreira) e os salários de 1.500 a 2.000 euros.

Rouba-se salário, carreira e condições de exercício da sua profissão e, ainda por cima, pedimos-lhes milagres - em nome da consciência profissional, panaceia para todos os males. E como os professores têm essa coisa mística da vocação (chamamento) e da consciência profissional nem é preciso remunerar o trabalho decentemente.

Sábado, Novembro 28, 2009

Se a obra tivesse sido mais espaçada no tempo

Muitas vezes foi repetido o argumento pela governação madeirense de que as obras precisavam de ser feitas com rapidez e em quantidade para se tirar o máximo proveito dos fundos comunitários.

Será que um desenvolvimento infraestrutural mais espaçado no tempo não poderia ter evitado que a Madeira tivesse saído do grupo das regiões europeias de Objectivo 1 e, consequentemente, tivesse perdido 500 milhões de euros no actual Quadro Comunitário de Apoio?

Não poderíamos, neste momento de crise, ter maior receita e maior número de obras no terreno, que injectassem dinheiro na economia regional?

Não poderíamos ter construído, com mais tempo, melhores infraestruturas, sem o custos da rapidez na construção e os custos acrescidos na manutenção dessas obras que, pela pressa com que foram feitas, apresentam mais defeitos e terão um tempo de vida menor?

Não poderíamos ter evitado determinados exageros, nomeadamente no litoral?

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : November 29, 2008

Terça-feira, Novembro 24, 2009

4, 5, 6 e 7 de Dezembro > Centro das Artes

Todos os detalhes em Madeira Dig 2009

Recorde-se:
Um dos momentos do Madeira Dig 2008

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Editors: Papillon



Papillon dos Editors, do novo In this light and on this evening. Gosto da vocalização e da negritude da música.

As velas ardem até ao fim (4)

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Um leitor interpelou-me sobre a minha posição a propósito de três citações do livro As velas ardem até ao fim: (3); (2); (1).

Não comungo totalmente com as três citações deste romance quanto à impossibilidade de uma pessoa alterar o seu carácter, mas têm um fundo de realismo, além do fatalismo. Há aspectos estruturais da natureza humana que serão difíceis de alterar.

Dito isto, sou da opinião que o ser humano tem possibilidade, através do seu poder de DECISÃO, de contrariar certas heranças genéticas e aspectos da sua educação/percurso de vida. Por outras palavras, é possível a mudança para melhor de aspectos do carácter, mesmo que não seja uma tarefa fácil. É preciso QUERER e DECIDIR.

Sábado, Novembro 21, 2009

E eles pimba...

Os últimos 30 anos, na Madeira, provam que os ataques pessoais e injúrias beneficiam politicamente quem as profere e penalizam nas urnas as vítimas.
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O contra-ataque de um viajante frequente produziu mais um tirada para a história do parlamento da RAM.

Quando o deputado Fernando Letra do BE, em plena Assembleia Legislativa da Madeira, no passado dia 17 de Novembro, afirmou ser mais madeirense do que muitos dos que nasceram na Madeira, que andam muitas vezes de "rabo no ar" - referiu os casos de Alberto João Jardim e de Jaime Ramos -, o líder da bancada laranja respondeu desta forma:

"Quem anda de rabo no ar é o seu partido, que anda a defender o casamento de homossexuais."

Na mesma sessão plenária, o deputado Jacinto Serrão, do PS, quando também foi alvo de ataques pessoais e injúrias em dia inspirado do adversário político, afirmou que os cidadãos saberiam penalizar quem utiliza tais métodos.

Ora, passaram-se 30 anos e o partido maioritário ganha eleições cada vez com mais folga. Significa simplesmente que tais ataques pessoais e injúrias beneficiam politicamente quem as profere e penalizam nas urnas as vítimas.

A realidade é o que é. Não devemos contar com uma massa crítica ou cultura político-democrática que não temos. A cultura pimba vende porque tem mercado...

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

As velas ardem até ao fim (3)

As velas ardem até ao fim de Sándor Márai.

«[N]ão é possível suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para nós próprios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consciência, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, não recebemos elogios da vida, não nos põem no peito nenhuma condecoração por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou egoístas, carecas ou barrigudos - não, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas, nem louvores. Temos de suportar, o segredo é isso. Temos de suportar o nosso carácter, o nosso temperamento, já que os seus defeitos, egoísmos e avidez, não os mudam nem a experiência, nem a compreensão. Temos de suportar que os nossos desejos não tenham plena repercussão no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos. Temos de suportar a traição e a infidelidade, e o que é o mais difícil entre todas as tarefas humanas, temos de suportar a superioridade moral ou intelectual de uma outra pessoa.»

p100 (Publicações Dom Quixote: 19ª edição: 2009)

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

As velas ardem até ao fim (2)

As velas ardem até ao fim de Sándor Márai.

«Só penso que conhecer a verdade, adquirir experiências, de nada serve, porque ninguém consegue mudar o seu carácter. Talvez não se possa fazer mais nada na vida que adaptar à realidade com inteligência e cautela essa outra realidade inalterável, o carácter pessoal.»

p119 (Publicações Dom Quixote: 19ª edição: 2009)

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

As velas ardem até ao fim (1)

As velas ardem até ao fim de Sándor Márai.

«Podes alcançar tudo na vida, podes vencer tudo à tua volta e no mundo, a vida pode oferecer-te tudo e podes tirar tudo da vida: mas nunca podes mudar os gostos, as inclinações, o ritmo da vida duma pessoa, aquela diferença que caracteriza por completo uma pessoa, a pessoa que é importante para ti, que te interessa.»

p128 (Publicações Dom Quixote: 19ª edição: 2009)

Carlos Bica & AZUL (4)


Luscious do álbum Believer.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Resumo comentado da entrevista a Isabel Alçada em 17 pontos

Photo copyright: António Cotrim/Lusa

Uma síntese comentada da entrevista de Isabel Alçada, ministra da Educação, RTP1: "GRANDE ENTREVISTA", 12 de Novembro de 2009:

1. «[A avaliação] tem de se reflectir na carreira dos professores. Tem de haver uma articulação entre a avaliação [do desempenho docente] e a carreira.»

Comentário:
Os sindicatos e partidos de esquerda podem acabar de sonhar com avaliação basicamente ou apenas formativa... Não vingará. O relatório da OCDE aponta para a articulação entre dois objectivos distintos da avaliação: a melhoria profissional (formação) dos professores e a progressão na carreira. Os termos em que se fará é outra questão. Penso que não deve conduzir a disparidades demasiado acentuadas, nem diferenciar em salário quem tem idêntico mérito.

2. «Vai haver um novo modelo de avaliação. A articulação entre o Estatuto e a carreira tem de ser feita de outra forma.»

3. «Criar condições para que o tempo que os professores dedicam à avaliação seja um tempo necessário, suficiente, mas não excessivo. Não burocratizar excessivamente os procedimentos. (...) Para que os professores possam trabalhar com serenidade

Comentário:
Bom senso que se saúda. Esperarei pelas medidas concretas porque de conversas e utopias ando eu farto. Não colide com o facto de que é preciso muita teoria (palavras), pensamento e tentativa e erro para mudar alguma coisa na prática. Mas, a mudança de comportamentos (práticas) chega mais tarde do que a mudança de conceitos (palavras). As pessoas mudam as práticas normalmente quando são empurradas pelas circunstâncias e por questões de sobrevivência. É a condição humana? Geralmente esperam que as coisas mudem mantendo as mesmas estratégias.

4. Quem deve avaliar os professores? «Há vários cenários possíveis e os vários elementos devem estar envolvidos na avaliação. Em primeiro lugar, os avaliadores têm de ser pessoas competentes para fazer a avaliação. Há uma competência própria.» [O avaliador] tem de ser competente e ter essa vontade de avaliar [componente voluntária].» Mencionou ainda a dimensão formativa no sentido do «aconselhamento» por parte do avaliador ao avaliado.

Comentário:
É evidente que o avaliador tem de ter provado mais mérito do que o avaliado. É uma condição base para a credibilidade do processo de avaliação. O professor tem de reconhecer mérito e competência no avaliador. Não há volta da dar.

5. «Queremos um sistema exigente», não «facilitista». Falava a ministra da aprendizagem dos alunos e das metas («padrão») que têm de atingir, ao nível do país.

Comentário:
Vislumbra-se aqui uma mudança de atitude no sentido de contrariar o facilitismo e a bandalheira escolar reinante. Uma esperança surge no horizonte.

6. Novas regras da avaliação [novo modelo] «ainda este ano lectivo».

7. «Revisão desse elemento [divisão da carreira] terá de ter em conta toda a estrutura.»

8. «Vou chegar» a um acordo com os sindicatos.

9. «O cerne da actividade do professor é a sala de aula».

Comentário:
Finalmente alguém percebe qual é a missão da escola...

10. «A profissão de professor é das profissões mais dignas que se pode assumir».

Comentário:
Então vamos lá dignificá-la... começando pelas condições de trabalho dos professores e dando sinais no sentido de a sociedade valorizar o conhecimento e o trabalho intelectual.

11. «A profissão foi maltratada pelos políticos», questionou Judite de Sousa. «Temos que revalorizar», disse a ministra. Por exemplo, disse ser «importante que as famílias compreendam o trabalho do professor», que «é mais difícil do que era no passado».

Comentário:
Seria bom haver esta consciência das maiores dificuldades que os professores sentem hoje na carne, com um desgaste acentuado.

11. «O adulto perdeu a autoridade». Refere-se à relação crianças-adultos. Usou a palavra «irreverência» quando a grande maioria dos problemas da indisciplina não se devem a questões de irreverência, que é muitas vezes usada para desculpabilizar e ser-se complacente com actos de pura indisciplina (perturbação do processo de ensino-aprendizagem).

Comentário:
Um mau sinal... Até me arrepiei na espinha...

12 «Educar significa fazer valer a autoridade do adulto, porque é o adulto que orienta».

Comentário:
Foi-se embora o arrepio... este bom senso agrada-me e deixa de novo esperança. Pensei que a Ministra estivesse a facilitar e a cair na tentação da complacência em moda desde o 25 de Abril de 1974. Mas não, não receia usar a palavra autoridade e reconhecer como necessária por parte do adulto, na educação das crianças e jovens.

13. Os professores têm-se queixado de que a sua autoridade nas escolas foi pura a simplesmente posta em causa», inclusive «pela legislação entretanto produzida» [Estatuto do Aluno, passar sem ir às aulas, etc.], perguntou Judite de Sousa. A ministra defende que a repetência não resolve os problemas e que os apoios suplementares devem existir quando o aluno escorrega para o insucesso, ou seja, quando não atinge as metas.

Comentário:
Concordo que não deveria haver respetências, mas cuidado com os contextos social e cultural de pouca exigência e trabalho em que vivemos. Desconfio que, no final, o professor seja o único a ser responsabilizado e que vai ter de fazer o menino atingir as metas, mesmo que ele tenha uma atitude negativa perante o trabalho escolar (não estude e não se empenhe) e seja indisciplinado.

Isto é tudo muito bonito e até pode funcionar em alguns país nórdicos com outra cultura de responsabildiade cívica. Nas nossas escolas de brandos costumes... desconfio

Além de desconfiar que esses apoios extra aos alunos não funcionem tal como os apoios actuais não funcionam na maioria. Se é para ser mais do mesmo... O que se verifica é que quem não quer estudar e não gosta de trabalhar nem vai aos apoios. E esse sistema de apoios custa muito dinheiro. É bonito mas é caro. O Estado não vai fazer essa despesa. Por isso, estou a ver que tudo acabará por cair em cima do professor, na sala de aula, que tem de fazer pedagogia diferenciada com mais de 20 alunos na sala de aula, em que muitos deles não se empenham nem reconhecem autoridade ao professor. Vamos vivendo no reino da utopia.

14. «Há domínios do Estatuto do Aluno que terão de ser revistos.»

Comentário:
Mais uma esperança. Esperemos que não seja feito com base na desconfiança dos professores e não seja mais um incentivo à balda actual nas escolas.

15. ME deve apoiar os professores divulgando «formas diferenciadas de trabalhar» e ensinar.

Comentário:
Esperemos que não se caia no romantismo do eduquês... que o estudante aprende sem estudar, sem disciplina, sem responsabilização individual... bastando o professor trabalhar, isto é, DIFERENCIAR... Os professores serão sempre os suspeitos do costume na actual conjuntura...

16. «Eu sei fazer», disse quando a entrevistadora falou das «boas intenções» da Ministra... Disse que «não são só intenções e palavras.»

Comentário:
Haver palavras já é um passo no sentido das medidas práticas....

17. «Eu nunca trabalhei na vida sem autonomia», disse quando Judite de Sousa perguntou se o Primeiro-Ministro tinha dado carta branca.

Ceia

Quinta Pedagógica, Prazeres.

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : November 03, 2009

Domingo, Novembro 15, 2009

Uprising



O ritmo, o riff e a linha melódica têm feito com que este tema poderoso, empolgante e catchy dos Muse me esteja a martelar na cabeça. É "Uprising" do novo álbum The Resistance.

Triunfo do princípio do PRAZER sobre o princípio da REALIDADE

Tanto prazer e tanta fruição faz de 38 por cento dos portugueses insatisfeitos com a vida face a apenas 19 por cento dos europeus... Yes, weekend.

As imagens ilustram uma brincadeira, mas profundamente ilustrativo de uma mentalidade e de uma cultura pouco... empreendedora, empenhada e capitalista.

É o domínio do princípio do prazer e da fruição sobre o trabalho, a produtividade, os grandes desígnios como País e enquanto Povo. O português típico, individualista, quer saber do seu fim-de-semana (o tal weekend), do seu copo, do seu futebol, da sua praia, dos seus canais de televisão.

É por estas e outras que se percebem as motivações no comportamento dos portugueses como povo.

Como diz Eduardo Lourenço n'O Labirinto da Saudade- Psicanálise Mítica do Destino Português, de 1978, «É pena de Freud não nos tenha conhecido: teria descoberto, ao menos, no campo da pura vontade de aparecer, um povo em que se exemplifica o sublime triunfo do princípio do prazer sobre o princípio da realidade

Por isso é que somos pobres... e dos mais insatisfeitos com a vida, como ainda há dias deu conta uma sondagem europeia. O Eurobarómetro divulgou um Relatório que revela que 38 por cento de cidadãos portugueses estão insatisfeitos com a sua vida face a apenas 19 por cento dos europeus.

Por outro lado, sabemos que parte significativa dos estudantes portugueses chegam à escola com um elevado grau de desinteresse, sem cultura de trabalho e com uma atitude negativa e de especial resistência perante o trabalho intelectual. É também exemplificativo.

Pois é, a sociedade portuguesa não lhes dá outros sinais. Agora os professores que se desenrasquem e façam milagres na sala de aula, como se nada tivesse a ver com esse contexto social e cultural de pouca exigência, de pouco trabalho e de inexistência de mérito.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Carlos Bica & AZUL (3)


Password do álbum Look What They've Done To My Song.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Centralidade do trabalho pedagógico e não da avaliação do desempenho

«Precisamos que os professores tenham serenidade, invistam o seu esforço na sala de aula e que o tempo que dedicam à avaliação não seja excessivo», afirmou Isabel Alçada, a nova ministra da Educação, ontem após as reuniões com os sindicatos de professores.

É um bom indicador esta estratégia de recentrar o esforço dos docentes no trabalho pedagógico, isto é, no processo de ensino-aprendizagem. É absolutamente essencial e de bom senso.

A avaliação do desempenho tem de ser um processo simples e ágil, não a insana burocratização implementada por Maria de Lurdes Rodrigues, de modo a não criar ruído ou desviar os agentes de ensino da sua tarefa pedagógica. É para isso que escolas e professores existem. A avaliação do desempenho não pode prejudicar o ensino e a aprendizagem.

Isto apesar de Isabel Alçada, em Julho último, ter dito o seguinte: «Dou o meu inteiro apoio à política educativa que tem sido seguida, por vários motivos (...) considero que é importante a prossecução e o aprofundamento do trabalho que tem vindo a ser realizado».

A ver vamos.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

A árdua procura da felicidade

Viriato Soromenho-Marques falou da evolução do conceito de felicidade até à actualmente dominante felicidade mercantil, que não é suficiente para o ser humano ser feliz.
origem da fotografia

A conferência de Viriato Soromenho-Marques, A árdua procura da felicidade, construir a solidariedade na proximidade da solidão, integrada na II Conferência do Funchal: Merecer o Futuro, nos dias 6 e 7 de Novembro, ajudou a perceber o que move as pessoas, actualmente, na sua busca da felicidade.

Conhecer e compreender o que move o ser humano, na sociedade acual, nessa busca da felicidade é importante. Interessa ou não distanciar-se dessa «concepção fortemente mercantil de felicidade, que ignora os limites da Natureza e dos ecossistemas e que esquece a complexidade da condição humana, irredutível à voragem insaciável do processo de consumo»?

Dessa complexidade humana fazem parte as suas dimensões imateriais, como a ética e a espiritualidade, com um papel fundamental no bem-estar e felicidade do Homem.

A felicidade desvinculou-se de terminadas dimensões humanas para servir a economia de mercado, o materialismo e o consumo. É a felicidade com «programa de realização aqui e agora», e com rapidez, que dispensa planos como o transcendental e o ético.

A felicidade moderna assenta na independência e nos interesses particulares, em que o indivíduo «se afasta da cidadania e se centra no consumo e no conforto.» Ele não se afirma como pessoa, «não deixa marca», é anónimo, perdido na multidão, e «não é reconhecido pelos outros». A felicidade é então uma «demanda individual». Essa afirmação e reconhecimento são estruturantes para o ser humano. Soromenho-Marques disse serem necessárias «escalas de participação» para o indivíduo.

«Nunca houve tanto conforto e tanta gente a sobreviver penosamente», disse o conferencista. A felicidade do hiper-consumo não é condição suficiente para a felicidade. Obedece a pulsões. Temos um consumo sempre crescente e desejos nunca satisfeitos.

Como disse Kant, citado na conferência, a felicidade na posse e na fruição é uma ilusão. Sabemos hoje, decorrente de estudos, que o aumento de rendimento per capita, a partir de dado valor, não traz mais felicidade ao indvíduo. Não lhe acrescenta felicidade.

Além do mais «felicidade não existe de forma estável e permanente».

Como sair do impasse e das várias crises que nos assolam actualmente e nos comprometem a real felicidade? Soromenho-Marques propõe um conjunto de princípios: da comunidade inclusiva, que se estende a todas as criaturas; da solidariedade entre gerações; da humildade prudente (em alternativa à arrogância tecnológica); da simplicidade voluntária na Arte de Viver, deixando espaço para os Outros (Ghandi: «Live simply, so that others may simply live...»); da natalidade como renovação; da cooperação compulsiva e da reconstrução da Acção política numa dinâmica sustentável.

Adriano Moreira, na sua intervenção na II Conferência Internacional do Funchal, sublinhou outro aspecto fundamental: «É preciso que os valores condicionem os valores do saber e do saber fazer». Diria ainda que «não basta informação e saber - faz falta os valores», isto é, a sabedoria.

Recordo José Augusto Fernandes a propósito dessa centralidade dos valores (irrenunciáveis) na nossa existência. À volta dos valores nunca nos enganamos. Estes nunca nos desconpensam ou desequilibram. Dão estabilidade. Quando estamos fora dos valores ficamos muito dependentes.

Nós movemo-nos à volta de centros de existência. Os centros da existência quando são muito móveis (como o consumo) geram instabilidade, insegurança e arrastam as pessoas com eles. Os centros fora do centro dos valores, se falham, conduzem à queda. É mau centro todo aquele que, se falha, arrasta a pessoa.

Mais informação:
Comunicações da II Conferência Internacional do Funchal

Domingo, Novembro 08, 2009

Contraste

Prazeres, 3 de Novembro de 2009, 18h05.

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : November 03, 2009